A terra também treme em Brasília
O brasileiro ainda encara as eleições como uma partida de futebol, um campeonato onde “o meu time tem que vencer independente dos jogadores não prestarem”.
Às 14 horas do dia 11 de janeiro de 2010 a terra tremeu no nordeste brasileiro. Um tremor de terra que atingiu 3.8 na escala Richter e que teve o seu epicentro no estado do Rio Grande do Norte, tendo reflexos nos estados de Pernambuco e na Paraíba. No Haiti, um violento abalo sísmico de sete graus na escala Richter, seguido por dezenas de réplicas, destruiu o país. Estima-se que mais de 200 mil pessoas morreram entre tantos outros desaparecidos.
Em Brasília, no Distrito Federal, os abalos “sísmicos” são bem mais “volumosos” e não são medidos pelos índices da escala Richter e sim pela quantidade de milhões de dólares desviados, colocados na meia, na cueca e depositados na Suíça. É o nosso dinheiro, o dinheiro dos nossos impostos, do suor nosso de cada dia sendo roubado cinicamente por uma cambada de marginais do colarinho branco.
Pessoas morrem nas filas do INSS, nas estradas mal cuidadas, sem nenhuma manutenção e sem sinalizações. A saúde vive eternamente na UTI do descaso, a violência, a cada dia, toma conta do país transformando as cidades em uma verdadeira praça de guerra. Onde vamos parar?
As eleições vêm aí. Seria uma boa oportunidade de darmos o troco a esta corja. Infelizmente o Brasil ainda não é um país com uma população satisfatoriamente politizada. O brasileiro ainda encara as eleições como uma partida de futebol, um campeonato onde “o meu time tem que vencer independente dos jogadores não prestarem”. “Não vou perder meu voto, só marco em quem vai vencer” – dizem a maioria dos eleitores. É fundamental que este pensamento mude urgentemente.
É preciso pedir a Deus para que fatos como os ocorridos no Haiti não venham mais a acontecer, é preciso também mais consciência política para os eleitores brasileiros, a fim de mudar este quadro caótico de corrupção e desmandos.
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De: Nelsuita - 26/1/2010
É isso aí Alberto, para o povo brasileiro falta muita coisa: comida, saúde, lazer, trabalho e principalmente consciência política. Afinal de contas todos nós sentimos o reflexo do resultado das urnas e o pobre sofre em dobro.Esse trabalho de conscientização é muito oportuno e merece uma reflexão por parte de todos aqueles que tiverem a oportunidade de lerem esse artigo. Um abraço!
nel
De: Renato Tourinho - 26/1/2010
É necessário que aconteça em Brasilia um terremoto maior do que o do Haiti. Só assim nos livramos destas mazelas...
De: Patrícia Chastinet - 27/1/2010
Nos abalamos com as catástrofes que atingem os países vizinhos e nos tornamos solidários. Isso é maravilhoso, mas esquecemos de nossos males: as crianças que logo cedo se entregam às drogas e à prostituição; a corrupção que parece estar no sangue das pessoas quando tentam "aplicar" o famoso "jeitinho brasileiro"; o descuido com a saúde e a segurança da nossa população. Antes de tentarmos ajudar os que se encontram fora dos nos limites territoriais, vamos tentar resolver nossos próprios problemas
De: Valfredo Novais - 27/1/2010
Prezado Alberto,
Os únicos bandidos que "tremem" em Brasília são os ladrões de galinha. Os outros têm um "tremendo" nariz de borracha à prova de abalos sísmicos haitianos.
De: Marco Soledade - 27/1/2010
Caro Alberto.
Tudo isso é verdade!, eis porque nenhum governo até hoje quis investir em educação. Povo educado não é cego nem bôbo.
De: Sil Zans - 27/1/2010
Senhor Alberto, que bom vê-lo novamente escrevendo. Senti falte das suas crônicas. Quanto aos abalos sísmicos, infelizmente o eleitor brasileiro não tem a mínima condição de votar. Esta situação deve perdurar, infelizmente, por muitos séculos. É como o senhor disse: encaram eleições como um jogo de futebol – Silvânia Zans – Londrina - SC
De: Valdemir - 28/1/2010
É com matérias como essa que, se não conserta pelo menos ajuda um pouco.
Valeu Peixoto.
De: Winston - 28/1/2010
Alberto: não somente eu, mas, milhares de leitores deste conceituado jornal, sentimos a falta dos artigos inteligentes e sempre abordando temas importantes que afetam o dia a dia de muitas pessoas e famílias. Em primeiro lugar, parabéns aos diretores do Feira Hoje por não deixar isolado, perdido, um talento, uma inteligência e uma capacidade crítica imensurável, em segundo parabéns a você pela volta com um tema que parece interminável, essa praga destruidora chamada corrupção.
Periodicamente algumas regiões da terra sofrem com ocorrências de fenômenos naturais, assim considerados porque não dependem da vontade e nem podem ser controlados pelo homem, portanto são inevitáveis apesar de todo conhecimento e tecnologia existentes na atualidade. Quando muito intensos causam mortes e danos materiais devastadores. Tudo isso é lamentável mas temos que nos curvar diante da nossa maravilhosa mãe TERRA.
No caso da nação irmã HAITI, segundo a ONU, serão necessários dez anos e bilhões de dólares para a sua reconstrução. No caso dos danos provocados pela corrupção que são muito piores, pois além dos danos materiais e mortes lentas, provocam a morte da esperança das pessoas, matam as oportunidades de milhões de seres, matam ainda o maior de todos os sentimentos ou seja a fé , destroem a dignidade e o futuro de milhões de indivíduos.
Diferentemente dos fenômenos naturais, o corrupção, por não ser natural nem do homem muito menos do planeta TERRA, custa praticamente zero simplesmente depositando o voto sem o famoso cabresto ou voto comprado, portanto consciente, voto do cidadão, pronto, tudo estará resolvido, simples assim, um verdadeiro passe de mágica.
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