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Roque do Carmo Amorim Neto Mestre em Educação pela Universidade Cidade de São Paulo (2008). Especialista em Gestão Escolar pelas Faculdades Integradas de Botucatu (2006) e em Psicopedagogia pela Universidade do Oeste de Santa Catarina (2008). Possui graduação em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2004). Tem experiência na área de Educação, Filosofia, Pastoral Juvenil e Orientação Vocacional. Atualmente estuda Psicologia em Saint Marys College of California, nos Es...
 
 
Publicado em 2/2/2010 16:11:50 | Comentários (0) Share
Moldando o cérebro

Você acredita que o ser humano seja capaz de moldar o próprio cérebro? A afirmação é do doutor em psiquiatria Daniel Siegel e traduzida do inglês diz: “Nossas experiências moldam diretamente a estrutura do cérebro e assim cria a mente que define quem somos”. Não quero aqui me deter na distinção conceitual de “cérebro” e “mente”, porque isto tomaria muito espaço. Entretanto, quero me ater ao fato de que as nossas experiências, especialmente o modo como nos relacionamos com os demais pode moldar nosso cérebro, e, portanto definir nossa identidade.

A experiência interpessoal de maior impacto em nossas vidas sem dúvida alguma é aquela que temos com nossos pais, quando ainda somos completamente dependentes e deles esperamos receber todo o alimento físico e emocional. E claro, ninguém tem a todo tempo suas expectativas atendidas… Todavia, para algumas pessoas a situação é bem mais séria, e mesmo dramática.

Infelizmente algumas crianças crescem sem nunca terem criado uma verdadeira conexão emocional com seus pais. Fisicamente os pais estavam lá, mas apenas fisicamente. Alimentavam o bebê, mas não olhavam nos olhos deles, tampouco conversavam com ele. Se tiveram condições financeiras, colocaram a criança em uma escola cara, com a melhor das intenções. Deram os brinquedos mais caros, mas não deram o mais importante, um pouco deles mesmos a cada dia. Outros talvez, cresceram rodeados de gritos, choro, violência…

Este relacionamento primordial tem uma forte influência no modo como nos relacionamos com outros. Por exemplo, não é novidade que muitas pessoas que tiveram pais alcoólatras, acabam elas mesmo indo nesta direção ou de modo mais sutil casando-se com pessoas que tem tendência ao alcoolismo. Aquelas que tiveram pais violentos, acabam se casando com pessoas igualmente violentas. Ou ainda, aquelas que foram abandonadas pelo pai ou pela mãe, tendem a afastarem-se daqueles que as amam, dando continuidade a um ciclo auto-destrutivo.

Felizmente, com o próprio Daniel Siegel sugere, nosso cérebro, especificamente o córtex pré-frontal (juro que não queria usar termos técnicos neste texto!), continua se desenvolvendo por toda a vida. Isto aponta para o fato de que podemos quebrar o ciclo. Não precisamos passar para a geração seguinte as experiências de desamor que tivemos com nossos pais ou com os adultos significativos. Não precisamos ser vítimas do mal que nos foi feito, podemos reinventar a nossa própria história.

Claro que mudar padrões de comportamentos com os quais estamos tão habituados não é assim tão fácil. Isto exige a ajuda de algum profissional da área de saúde mental (psicólogo, psiquiatra, etc.). E além disto, você mesmo pode dar alguns passos, por exemplo, assumindo uma atitude mais reflexiva. Leva tempo, mas vale a pena interromper o fluxo de certas ações e sentimentos para se perguntar: De onde isto está vindo? Por que me sinto tão irritado com esta atitude do meu namorado, do meu irmão, do meu pai? Preciso explodir deste jeito?

À medida que desenvolvermos esta atenção ao nosso mundo interior, começaremos a perceber alguns padrões tanto no modo de sentir como de agir, e possivelmente se olharmos para o passado encontraremos as experiências que moldaram este comportamento.

Este texto já está longo, mas ainda há espaço para perguntar: você prefere moldar seu cérebro de uma maneira positiva, embora trabalhosa, ou prefere se contentar com os resíduos emocionais que lhe impedem de abrir-se para a vida, tal como certas flores que se abrem completamente à luz do sol?

Sinta! Reflita! Aja!

 

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